terça-feira, abril 24, 2007

ERAS DA CRIAÇÃO

No princípio era o nada e o nada era pura escuridão.

Da escuridão surgiram, ao mesmo tempo, dois camaleões, um vindo da esquerda e outro da direita. Até pararem no centro da escuridão.

Os dois ficaram ali parados por algumas eras, até que um dia o camaleão da direita começou a movimentar e lentamente suas pastas e sincronicamente, foi ganhando um tom avermelhado em sua pele. Em contra-resposta o camaleão da esquerda tentando imitá-lo ganhou um tom alaranjado.

Se sentindo ameaçado o camaleão avermelhado lançou sua intrépida língua na direção do outro para que ela o pegasse e, assim, o levasse para a sua boca.

A cada feroz mastigada do camaleão avermelhado, o camaleão da esquerda mudava de cor, na primeira do tom alaranjado, passou para o amarelo, na segunda o tom amarelado passou para o verde, na terceira do tom esverdeado passou para o azul, na quarta passou do tom azulado para o anil, na quinta do tom anilado para o violeta...

Foi quando o camaleão o engoliu por inteiro!

Se sentindo vitorioso o camaleão começou a andar para a outra ponta do nada. Quando se supetão o camaleão engolido se pinta de luz, explodindo assim o camaleão que se achava vitorioso.

E essa explosão deu origem a uma carga imensa de energia, que posteriormente criou as estrelas, planetas, luas e asteróides.

E Deus viu que isso era bom!

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

REFLEXÃO VERDADEIRA

A verdade dói,
Perfurando como uma espada,
O coração daquele que está à beira de um precipício.
Empurrando-o até o fundo daquela fenda.

Cada verdade,
Recebida na vida,
É um duro golpe por traz,
Que nos faz refletir.
E recomeçar nossa subida,
Até abertura da fenda da vida.

Destrói dolorosamente os erros cometidos,
Mas pressiona para o recomeço.
O recomeço é o berço das possibilidades,
E a soma das possibilidades chama-se: Liberdade!
A liberdade nada mais é do que a própria vida.

Já a mentira,
Retira fantasticamente,
A dor própria da vida.
Transporta para um mundo lúdico e irreal.

Elevando até o topo do precipício.
Numa over-dose delirante!
A mentira nos mata sem sentir.
Anestesiando a realidade.

Roubando a liberdade que nos é de direito,
Tornando-se assim a morte em vida.
Pois se continua no erro.
E não há recomeço.

É melhor viver na dor da verdade,
E recomeçar sempre,
Que morrer ludicamente em mentiras!

terça-feira, janeiro 23, 2007

Dentro de um ônibus


Os raios de sol ainda não tinham rompido o domínio da noite, mas eu há algum tempo já tinha levantado da minha cama a caminho do trabalho, num burocrático departamento do governo do Estado do outro lado da cidade, como auxiliar de escritório.

Como sempre faço, ao reconhecer o meu coletivo, levantei o braço direito, sinalizando que eu iria pegá-lo. – como se fosse preciso, pois sempre pego o mesmo ônibus, e é sempre o mesmo motorista. Creio que ele pararia para mim mesmo que eu não fizesse sinal algum. Vivemos numa sociedade cheia de formalidades e o sinal para parar o ônibus é uma delas.

O ponto de ônibus da minha casa é próximo do ponto de partida da linha desse ônibus, o que me dá a possibilidade de escolher o lugar para me sentar, já que ainda não há muitos passageiros dentro dele. Porém à medida que o ônibus faz o seu percurso, o espaço vazio do veículo, vai se tornando cada vez mais escasso. Vinte minutos depois de me assentar, já não há mais lugar sentado. E quinze minutos depois disto, já não há nem mais lugar em pé. Entretanto, o motorista não parece se compadecer com essas pessoas que estão espremidas ali, ele sempre tenta colocar mais alguém. Talvez no fim de sua jornada de trabalho esse motorista aposte com seus colegas quem conseguiu pôr mais passageiros em seus carros.

O sol começa a despontar no céu e os passageiros do ônibus tentam se acomodar, como se estivessem querendo desobedecer a Lei Natural da Física, de que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no mesmo espaço. Todas as medidas possíveis para dar espaço dentro do ônibus já foram tomadas como: dar o acento as pessoas mais gordas, segurar as mochilas e as bolsas para que não atrapalhem a penosa travessia dos passageiros no que sobrou do corredor do ônibus.

Essas medidas podem amenizar um pouco a situação daqueles que estão apertados naquele momento, mas como já foi mencionado, o motorista faz daquele meio de transporte um coração de mãe, sempre cabendo mais um... Mas tenho quase certeza de que o coração dele ou de seu patrão não é de mãe e sim de pedra.

Os passageiros desse ônibus começam o seu dia de trabalho, enfurnados dentro de uma lata de ferro que nem ar-condicionado tem. Lutam para entrar e lutam para sair do ônibus. As mulheres mais jovens e com um pouco mais de carne em seus corpos, ainda tem outro objetivo, que nem quase nunca é alcançado: o de sair do ônibus sem que nenhuma mão boba ou qualquer outra parte boba bolinem seus corpos. Uma tarefa árdua devido à grande proximidade entre as pessoas, facilitando muito a atuação dos tarados matinais.

Quase duas horas depois de eu fazer sinal para este aglutinador forçado de gente que chamam de ônibus, o meu ponto do meu trabalho se aproxima. Muita gente ainda continua dentro do ônibus. Para facilitar minha decida, vou me levantando um ponto antes do meu. Assim posso pedir licença a todos que estão em meu caminho, e são tantos os que estão nele... que licença deve ser a palavra mais pronunciada por mim.

Alguns para não repeti-la como eu faço, preferem utilizar um som sinônimo parecido com o tsts, mas eu acho isso muito impessoal. Acho que essas pessoas merecem um pouco mais de pessoalidade e dignidade em sua vida.

E é nisso que venho pensando há algum tempo, em melhorar de alguma forma a viagem que elas fazem para ir ao trabalho. Sei que muitos dos passageiros desses ônibus ainda tomam outros meios de transportes com outros ônibus e trens e que com certeza são tão cheios ou mais quanto este.

Enquanto subia no elevador para chegar até o andar onde eu trabalhava, analisei todas as características que pertenciam aquele ônibus, e nas minhas formas de atuação para melhorar aquela viagem.

Pensei em algo que pudesse alegrar um pouco aquelas pessoas. Se eu tivesse uma boa voz, eu poderia cantar para elas, mas logo me dei conta que só sirvo para cantar no banheiro e baixinho, para que os vizinhos não me escutem e reclamem das minhas cantorias.

Descartando a possibilidade de cantar, lembrei que quando jovem gostava muito de fazer poesias e ao menos os meus amigos gostavam delas. Algumas meninas até choravam tamanha a emoção que eu causava. Decidi, por fim, que retomaria a minha veia poética para dar um pouco de luz e erudição aquela gente que estava cheia de contatos físicos, mas com pouca leveza espiritual devido às irritações diárias.

Chegando à minha mesa comecei a rascunhar os primeiros versos da poesia que entreteria aqueles passageiros tão vazios de esperança! Mas que também serviriam para posicioná-los com uma nova postura diante das injustiças a qual eles são tratados todos os dias. Por isso mais que uma forma de diversão a minha poesia deveria dar consciência a esses indivíduos. Foi com esse espírito que me veio à lembrança o velho Marx, e inspirado em suas palavras comecei a rascunhar numa folha que seria toda branca, não fosse o timbre do governo:

Proletários deste coletivo!

Proletários não, muitos desses trabalhadores tem pouca instrução e não saberiam o que isso significa. Sendo assim recomecei:

Trabalhadores deste coletivo!
Prestem bem a atenção!

O que poderia rimar com coletivo? Era preciso que a poesia rimasse, porque a rimas chamam a atenção do público.

Trabalhadores deste coletivo!
Prestem bastante atenção!
Sei que posso ser agressivo,
Pois isso é minha munição!

Roubam-lhes a vida,
E eu venho lhes roubar de novo,
Já estou um tanto desgostoso,
E por isso quero essa briga!

Todos levantem as mãos!
Pois aqui estamos juntos,
Mas não estamos unidos,
É preciso um empurrão!
Para não sermos aflitos!

Unidos podemos tudo!
Unidos formamos um povo,
Não se pode ficar mudo,
Façamos tudo de novo!

Minha inspiração chegou ao fim. Amanhã completarei o meu plano dando inicio as minhas declamações diárias. Com isso, presumo que, diminuirei os transtornos causados pelo enlatamento dos passageiros e de sobra ainda farei com que eles tenham consciência do sistema que os aperta tanto.

Depois de passar o meu dia de trabalho carimbando e lendo papéis, me encaminho para um restaurante para jantar, tomar duas tulipas de chope e no final um cafezinho para limpar. Faço isso não porque não goste de cozinhar, mas para fugir do horário de pico de volta para casa. Pois agüentar aquele sofrimento duas vezes seria demais para mim. Minha sorte é receber vale refeição!

Volto para casa em um ônibus relativamente vazio, onde posso relaxar e tirar uma pequena soneca. Mas não hoje! Hoje farei o trajeto lendo os meus versos até tê-los em minha mente de cor e salteado. Decorar os meus versos é um gesto assaz importante, pois retirar um papel do meu bolso naquele aperto seria muito complicado para mim. Além de incomodar outras pessoas que estarão do meu lado e elas próximas as outras, podendo desencadear uma corrente de incomodo por todo local.

Entro em minha casa e logo tomo meu banho, já me preparando para dormir. Deito na cama ainda com os meus versos e mãos. Dou uma última lida e em seguida fecho meus olhos e declamo meu poema em voz alta sem errar as ordens dos versos. Estou pronto! Ponho o papel na mesa de cabeceira, programo o despertador e apago a luz, para finalmente dormir.

Levanto-me ao som do despertador. Prontamente me arrumo para ir trabalhar. Hoje, distintamente dos outros dias tenho uma vontade enorme de pegar aquele ônibus. Mas minha ansiedade deve ser controlada, pois minha pressa pode fazer com que eu me arrume demasiadamente rápido e pegue o ônibus anterior ao que pego rotineiramente.

Vou até o ponto espero o coletivo passar e faço o mesmo sinal de sempre, mas hoje o faço muito mais empolgado do que nos outros dias. O motorista pára e eu entro. Ainda existem muitos lugares disponíveis, mas não me sentarei em nenhum, prefiro declamar de pé.

Como sempre o ônibus se abarrota de gente. A temperatura começa a esquentar e a dificuldade de se respirar aumenta a cada passageiro novo que adentra ao recinto. Esperarei mais cinco minutos até que fique insuportável aqui dentro para poder começar. Afinal quanto pior melhor, ou quanto mais público mais minha mensagem se espalhará.

Sinto que é o momento tão esperado por mim chegou. Relembro os versos antes de proclamá-los à minha platéia. Tomo um pouco de ar, o pouco de ar que é possível tomar e começo com meu ato:

- Trabalhadores deste coletivo!
Prestem bem a atenção!

Vejo que as pessoas do fundo do ônibus começam a se movimentar para escutar o que eu digo. Continuo...

- Sei que posso ser agressivo,
Pois isso é minha munição!

Roubam-lhes a vida,
E eu venho lhes roubar de novo,
Já estou um tanto desgostoso,
E por isso quero essa briga!

Todos levantem as mãos...

Em um gesto repentino algumas senhoras que estavam ao meu redor realmente levantaram as mãos. Percebo que os passageiros no final do ônibus começam a se exaltar. E ao mesmo tempo em que isso acontece o motorista pára bruscamente! Sai da direção e me agarra apertando os meus ombros. Outros homens o ajudam e me pegam pela perna. E eu sem muito poder de reação me vejo sendo lançado para o lado de fora do ônibus, caindo com minhas costas no chão, sem que eu pudesse terminar de declamar os meus versos.

Antes do motorista arrancar com seu ônibus, ainda gritou comigo dizendo que só não me levaria para a delegacia porque seu serviço estava atrasado. Os outros homens que o ajudaram voltaram depressa para o ônibus, para retornar aos seus lugares.

Só fui compreender a ação do motorista e dos passageiros no dia seguinte, quando um jornal sensacionalista publicou em primeira pagina: PASSAGEIROS IMPEDEM ATENTADO TERRORISTA EM ÔNIBUS.

Foi só assim que eu percebi que além de analisar os fatos, planejar a ação e praticá-la, também é preciso saber qual a disponibilidade de mudança que o povo está disposto.

Depois disso passei a levantar da cama mais cedo, para pegar o primeiro ônibus da linha. E assim tive que me acostumar novamente a fazer sinal a um novo motorista...

terça-feira, dezembro 19, 2006

A Mágica das Férias

Férias!
Sem dúvida é um momento mágico.
Quando os calendários se transformam.
Todos os dias passam a ser domingo,
E todas as noites são noites de sexta-feira.

Não há mais tempo,
Porque se tem todo o tempo do mundo.

sexta-feira, novembro 17, 2006

A forma

A forma,
Reforma,
Deforma,
Transforma,
Informa,
Conforma,
E forma.

segunda-feira, outubro 30, 2006

Caminhada Melancólica

Era triste a minha vida,
Caminhava solitário pela estrada de pedra,
Com os meus pés descalços,
Sentindo toda a concretude do mundo.

Minha melancolia era observar o caminho já percorrido,
Não me importando com o ponto de chegada,
Apenas me pós-ocupava com o ponto de partida.

Não sei bem se por medo ou por precaução,
Mas meu objetivo futuro era voltar ao passado.

Até que...,
Bem, até que em meu caminho,
Encontrei você,
Eis que surge um novo ponto de partida,
Pois foi como se eu me reencontrasse.

Sem dúvida, diferente do meu passado,
Pois o futuro modifica as pessoas,
E de um modo diverso me encontrei em você.

Então minha melancolia melancoleu,
Já não me preocupava mais com o ponto de partida,
Porque, de algum modo, estou vivendo-o passo por passo.

Sem passado ou futuro, porque és o meu presente.

terça-feira, setembro 05, 2006

Meus sonhos, minha vida.

Onde vivo na realidade?
Se antes de acordar realizo todos os meus anseios.
E quando me desperto,
Vejo que tudo não passou de uma grande quimera.

Com o passar do tempo,
Desisti de meus sonhos infantis:
Aqueles em que eu voava,
Conversava com os animais,
Tinha super-poderes,
Ou simplesmente prolongava noite à dentro,
Minhas brincadeiras diurnas.

Ano após ano,
A fantasia se enchia de realidade,
Aquelas ilusões da infância,
Foram contaminadas pela rotina.
Não mais como continuação dessa,
Mas como resolução de meus enigmas diários.

Daqueles problemas que não consigo,
Resolver nas horas que passo acordado.
Nas poucas horas em que me deito na cama,
Vejo todos eles definidos.
Não de maneira mágica,
Mas por minhas próprias ações.

Hoje, no meu mundo dos sonhos,
Posso ir a Europa e voltar, antes que acorde,
Trocar idéias e afetos com pessoas que estão longe,
Superar todos os meus medos e dizer: eu te amo.
Aspirar à felicidade querida na realidade.

Minha indagação não é sobre o sonho ou o real,
Mas a que mundo eu pertenço, em qual sou livre.
Talvez fosse melhor não tornar absoluto,
Nenhuma dessas duas realidades,
Mas acolher o melhor das duas.

Se um dia eu alcançar,
Essa consonância,
Descobrirei categoricamente o meu lugar,
Entre o sonho e o real; ou seja: a poesia!

sábado, agosto 12, 2006

Amizade

Se o amor com todos os seus empecilhos,
É o maior dentre dos sentimentos,
O que dizer então da amizade?

Nascida já em nossa infância,
Ao longo de toda a vida,
Torna-se cada vez mais verdadeira.
Até sua maturidade.

Indispensável em todas as horas.
A amizade retira-nos de nós,
Para darmos a outrem.
E quando é preciso,
Nos dá um obro amigo.

Se há uma vida infeliz,
Com certeza é uma vida sem amigos...
Sem alguém para compartilhar as idéias,
Trocar presentes,
E almoçar juntos algumas vezes.

Aquele que não consegue encontrar um amigo,
É porque não está procurando com devida atenção,
Se buscamos na amizade o oposto de nós,
Assim como no amor,
Não a encontraremos.
Se pelo contrário,
Procurarmos pelo idêntico.
Tampouco vamos achar.

Uma amizade plena,
Não se faz com o oposto,
Pois isso será amor,
Não se faz também com o idêntico,
Pois isso equivale a egoísmo.

A amizade,
Para ser verdadeira,
Basta uma coisa simples,
Que ela complemente o nosso ser.

Porque fazer amigos,
É o melhor jogo que existe
E cada amigo feito,
É mais um ponto na vida.

quarta-feira, julho 05, 2006

A Paixão

A paixão,
É como um espirro:
Vem com uma vontade insuportável,
Porém logo se supera,
Seguido a uma sensação de alivio.

Bem como essa poesia!

segunda-feira, maio 08, 2006

Tempos de música

Hoje, assim que acordei,
Resolvi ligar o rádio.

Estava com saudades...

Aleatoriamente as músicas,
Me foram chegando,
Uma a uma...
Cada qual com seu compasso.

De repente,
Assim como se meu coração fosse aberto,
Nossa canção entrou no ar!
E meus pensamentos foram com ela...

Recordando cada instante em que estivemos juntos,
Criando outros que poderiam ter acontecidos,
Reinventei nossa relação!

Não foi preciso muito,
Para reviver o nosso tempo!
Enquanto começavam as primeiras notas,
Lembrava-me dos nossos primeiros sorrisos.

O tempo da memória,
É o tempo da música,
A canção é nossa memória externa,
As nossas lembranças eternas!

Mas com o fim da melodia,
Pensava eu que seria o fim das recordações,
Eu estava enganado!

O tempo das canções assim como o da memória,
Não está preso ao tempo real,
Percorre o imaginário.

Imagine só,
Nossa música tocando novamente!

terça-feira, abril 04, 2006

Mulher Em Seu Acidente

Muitos acreditam,
Que as mulheres são complicadas.
Mas eu particularmente,
Creio que elas são todas iguais.

Obviamente cada uma tem,
Suas próprias particularidades,
Diferenciando entre si,
Apenas nos adjetivos.

Existem aquelas que:
Que nos fazem chorar,
E as que choram demais,
As que gostam de amar,
E as que só olham para traz.

Há também,
Aquelas que em tudo reclamam,
Outras que só querem nosso bem,
Outras que dizem que nos amam,
Mas só quando lhes convém...

Umas que gostam de carinho,
Outras só em alguns momentos,
Porém todas arranjam um jeitinho,
De permanecer em nossos pensamentos!

Enfim...
As características femininas,
São infindas.
Mas de uma coisa elas não abrem mão.

De sentir ao menos uma vez,
O amor que tanto buscam,
Pois as mulheres nascem para se dar,
Vivem desejando...
E morrem todas de amor!

sábado, março 04, 2006

AMOR SOL, PAIXÃO LUA.

Olho os primeiros raios de sol,
Despontando pela manhã...
Assim como o pôr do sol,
E toda a sua trajetória.

Muitos pensam na lua,
Como reflexo da paixão,
Sem dúvida esse pensamento,
É correto.

Por isso opto pelo sol.

A lua reflete a luz do sol,
Captando a sua energia,
E repassando-a para nossos olhos.

Porém...
Quero algo mais concreto.
Diria até mais direto!

Nada mais direto que o amor,
Nada mais concreto que o sol.

A lua é para o sol,
O que paixão é para o amor.

Para quem busca se cegar de amor,
Não deve se contentar,
Com o lume faiscado da paixão.

Sua única opção é olhar para o sol,
E sentir seus raios quentes,
Ruborizando sua face,
Assim como sua face se avermelha,
Quando se encontra um amor.

Para aqueles que almejam essa ocasião,
Dou-lhes apenas duas recomendações:
1) Não é necessário fazer uso de protetor solar;
2) Tampouco de óculos escuros.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Velas e Flores; Homens e dores

Em toda minha vida,
O meu sonho era ficar só.
Entretanto nem nos meus sonhos,
Pude realizá-lo.

O contato com as pessoas,
Causa-me repulsa.
Minha antropofôbia é evidente.

Vivia em um quarto escuro,
Em uma casa de um quarto.

Nunca tive uma foto para recordação,
Tampouco tive memórias.
A única coisa que guardo,
Sou eu mesmo.

Prefiro o mundo ao meu jeito,
Que um mundo com defeito.

Em minha casa dividia espaço com as flores,
Objetos que vivem por si,
E que quando morrerem não agonizam.

Somente saia de casa,
Para comprar minhas velas,
Já que não gostava do homem da conta de luz,
E para comprar mel.
Um alimento que não se estraga,
E não é feito por homens!

Mas num dia,
Quando uma de minhas velas caiu,
Em minhas anotações,
Um incêndio ocorreu!

Pude enfim realizar meu sonho...

Hoje não preciso mais de mel,
E as velas, como flores, não me faltam.

Vivo do jeito que sempre quis.
Sem o auxílio dos homens,
Porque viver fugindo deles,
É ir de encontro à morte...

sábado, janeiro 14, 2006

Entre Portas e Livros

É interessante perceber,
A relação entre portas e livros.

Esses dois objetos,
Levam consigo,
A perspectiva do futuro.
Por estarem aprisionados,
Ao verbo e ação abrir.

Todas as portas e todos os livros,
Somente passam a existir realmente,
Quando os abrimos.
Antes disso eles permanecem fechados,
Assim como nossos olhos.

Uma porta,
Estando disposta a se abrir,
Ou seja, que não esteja trancada.
É, inegavelmente, uma chance para o porvir.
Porque não é somente aquela porta que se abre,
Mas uma gama de oportunidades.
Um cômodo desconhecido,
Mesmo que vejamo-lo todos os dias.

Um livro,
Por si só, já emana seu mistério,
Não se deve julgá-lo pela capa.
Muito menos por um título.
O título de um livro é para o leitor,
Nada mais que um preconceito.
Pode muitas vezes auxiliar na trilha vindoura,
Porém outras vezes somente dificulta o seu caminho.

Entre portas e livros,
Há uma relação interessante,
Que nos aponta para o futuro,
Um futuro que nos dá medo,
Porque é desconhecido.

Entretanto abrindo os olhos, maçanetas e capas,
É possível encontrar o que se procura,
Indo até uma estante abrindo um livro,
E o lendo até a pagina dois,
Porque um amor para ser amor,
Não precisa estar distante.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Pequenos Amores

No principio havia dentro de mim,
Uma aspiração enorme de encontrar,
A grande paixão!

Daquelas que embriaga o homem...
Que nos faz perder a cabeça
Mas encontrar o coração.

Dessas sem eira nem beira,
Que se conhece o começo,
Mas não se sabe nunca qual será o final,
Porém quando este chega...

Mais fatal que uma ressaca!
É o seu dia seguinte.

Muito pior que a ressaca porque,
Ao invés da terrível dor de cabeça,
Quem sofre é o coração.

E para a nossa desgraça,
Não inventaram um engove,
Para a paixão!

Mas o tempo foi passado,
Assim como a embriages,
Fui me tornando mais responsável,
Deixando de beber no copo de uma paixão ardente.

Hoje reabilitado,
Sei que o saldo de uma grande paixão,
É negativo, por sua ressaca,
O mal que ela traz,
É infinitamente pior que o seu uso!

Por isso mudei meus hábitos,
Não busco mais uma grande paixão,
Minha busca é por sutilezas,
Dessas que não nos maltratam tanto,
E não são tão intensas!

Agora apenas quero me deliciar,
Com meus pequenos amores!

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Que Seja Eterno

Encontrei,
Quem tanto procurava,
Demorei,
Neste tempo mais me apaixonava,

Ela compreende-me,
Nas minúcias de minha vida,
Alegra-me,
Até nas horas de partida.

Sem me obrigar,
A dar-lhe nada em troca,
Faz-me de emoção pular,
Quando em meu coração toca.

Foi difícil e complicado,
Perceber,
Cheguei até a sofer,
Agora descanso aqui alíviado.

É uma grande relação,
Com algum conflíto,
Bastante emoção,
Um amor verdadeiramente bonito.

Se ela me chama,
Eu vou,
Ela sabe quem eu sou,
E o mais importante, ela me ama!

Nesse romance ,
Não há traição,
E se tiver vem logo o perdão,
Acompanhado de mais uma chance.

Sei exatamente,
O que é amar,
É deixar-se contente,
E sorridente se levantar.

Apaixonei-me, quem diria...
Reciprocamente,
Não sou mais um penitente,
Apaixonei-me pela poesia.

terça-feira, novembro 22, 2005

Amar

Talvez não diga nada além,
Do que foi dito, por mim,
Entretanto dessa vez há um porém,
Essas novas palavras,
Correspondem a um real sentimento.

Não que todas as outras,
Não tenham sido reais,
Tampouco que não tenham,
Lhes faltado sentimentos,
Mas desta vez,
O sentimento é exacerbado!

Posso desta vez,
Ser considerado piegas,
Ou um tanto leviano.
Mas qual amante não é?

Todos aqueles que amam,
Fazem comparações absurdas,
Crêem que na existência de algo,
Que eles próprios não podem suportar,
Acreditam que o mundo é mais belo,
Do que a própria beleza!
Fazem do real o seu verdadeiro ideal!

Foi isso que encontrei em ti!
Um ideal realizado,
Uma existência externa,
Que chego a chamar de eterna,
Pois esse viver é algo mais.

Foi esse algo mais que encontrei em ti,
Coisas que só são encontradas na perfeição,
Não quero dizer-te, aqui, que tu és perfeita,
Isto está longe de ocorrer,
Ainda bem!

O que estou me referindo,
É que sem dúvida, você tem seus defeitos,
Quem não tem?
Todavia são as imperfeições mais belas,
Que eu já vi em minha vida.

São tão fáceis de se aceitar,
Que chega até ser ridículo,
Não querer te amar!

É nesse mar de facilidade que quero me aprofundar,
Quero descobrir a cada dia mais, teus gostos,
Teus vícios, tuas virtudes,
Teus carinhos, teus maltrates,
Tuas tristezas e alegrias
Quero saber de tudo,
Quero me afogar naquilo que seja você,
Ir fundo na unidade contigo.

As coisas são de tal forma,
Que enfrento mares e montanhas,
Para estar ao teu lado,
Em qualquer manhã.

Sei que essa é uma idéia vã.
Mas isto pouco me importa!

O que me importa,
É estar ao teu lado,
Sentir o teu cheiro,
E segurar em tua mão!

Segurar a tua mão...
Gesto mais singelo e puro,
Quiçá seja o gesto que mais traduza o amor.
Pois a mão somente é estendida,
Para quem precisa,
No entanto os amantes,
Dão-se as mãos de forma igual,
Como se falassem:
- Preciso de ti nesta hora!

Mesmo que tu, ainda, não sintas,
O mesmo que sinto por ti,
Quero que tu sejas livre,
Para um dia me querer,
Se isso acontecer,
Almejo segurar em tua mão,
Representando pela primeira vez,
A frase:
- Te amo!

Porque, hoje,
Estar contigo,
De certa maneira,
É encontrar-me!

segunda-feira, novembro 21, 2005

Se Formatando a informação

Digamos que exista um fato,
Histórias contadas sobre este,
Nem sempre são verdadeiras,
Ou poderia dizer quase nunca?

Se há alguma verdade,
Ela se perdera,
Com a criação de outras versões,
Contando agora a aversão aos fatos!

Com isso, mesmo que sejamos verdadeiros,
Estaremos mentindo,
Nem sempre para nós mesmo,
Mas sem dúvida para a verdade!

Sempre formamos essa matéria,
Sem forma,
A nossa imagem e semelhança.
E o que era informação,
Passa a ser formatação!

Perdoe-nos ó verdade!
Pois esquecemos de ti.

quarta-feira, novembro 02, 2005

Só sabemos esperar

A dor é grande,
E a garganta aperta demasiadamente!
As lagrimas caem mais uma vez.

Talvez o pior da morte,
Não seja o fato de que a pessoa se foi,
Mas que esperamos de mais por fazer as coisas!
E fica tudo, feito pelo não feito.

Espera-se muito tempo,
Até o tempo se acabar,
Assim vamos vivendo,
Até o final.

Quando menos esperamos, ele acontece!

É o fim.

Será?

sábado, outubro 29, 2005

INTENÇÕES DA IN-TENSÃO

Encontrar a in-tensão,
É viver num encontro harmônico,
Entre o conflito e a placidez.

Num eterno completar,
Na bifurcação dos opostos,
Concretizado na resolução,
Da crise,
Com a atuação da paz.

In-tensões se dão a dois,
Em buscas intensas.
De causas,
Para ocorrerem estes fenômenos.

A causa da in-tensão,
É a intenção.
Indubitavelmente, é impossível que algo aconteça,
Sem que não haja intenção.

Mesmo quando não se planeja,
A intenção sempre se encontra,
Porque não podemos esquecer,
Que existem dois pólos,
E mesmo que um não perceba,
O outro já terá uma intenção.
Isto é inevitável!

O Cosmos é desestruturado,
Mas as oposições binárias,
Tendem a se harmonizar,
Por meio das intenções,
Até estabilizar numa in-tensão.

Macro ou micro cosmicamente,
O efeito é sempre o mesmo,
Conectamos nossos conflitos,
Na placidez alheia.

Assim se funda a comunidade!

Se todo o meu pensamento,
Parece-te uma confusão,
Te proponho uma pergunta:
Qual é a tua intenção?